quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

10ª Romaria da Pastoral da Saúde ao Santuário de Aparecida!

A CNBB realizou no dia 08/02/2014 a 10ª romaria da Pastoral da Saúde para o Santuário de Aparecida. Após a Santa Missa foi realizada a conferência sobre a HUMANIZAÇÃO, E A IGREJA A SERVIÇO DA VIDA PLENA PARA TODOS, tendo como palestrante o Padre Leo Pessini. Segue abaixo o texto completo da palestra.                                     

HUMANIZAÇÃO DOS CUIDADOS EM SAÚDE:
Arte e ciência em situação de urgência!

Pe. Leo Pessini, Camiliano
                                                                    lpessini@uol.com.br 
               
                   1 - Re-encantar-se com a arte de cuidar
                Vivemos hoje uma verdadeira “crise de cuidados” cujos sintomas mais evidentes se manifestam na absolutização ingênua do tecnicismo sem coração, no descuido, descaso, indiferença e abandono da vida mais vulnerável que clamam aos céus!  Para citar apenas alguns exemplos: encontramo-nos com crianças famintas perambulando nos cruzamentos de nossas cidades, aumento do número dos excluídos das benesses do progresso, descaso para com os idosos, utilitarismo depredatório em relação ao meio ambiente e instituições de saúde tecnicamente impecáveis, mas frias, sem calor e alma humana!
                Felizmente estamos começando a ter exemplos de sensibilidade e solidariedade competentes em relação ao cuidado da vida humana vulnerabilizada pela doença e sofrimento que nos deixam esperançosos ao nos apontar que a essência da vida é o cuidado. Mas o que entender por cuidado? A expressão terapêutica deriva do grego therapéuo, que significa ”eu cuido”. Na Grécia antiga, o thérapeuter era aquele que se colocava junto ao que sofre, que compartilhava da experiência da doença do doente para poder compreendê-la, e então mobilizar seus conhecimento e sua arte de cuidar, sem saber se poderia realmente curar. Para compreender a doença, ele se interessava pela totalidade de vida do doente, inclinando-se para ouvi-lo e examiná-lo. Essa inclinação (klinos, em grego, termo do qual deriva a palavra clínica) significava também uma reverência e respeito ante o sofrimento do outro.
Considerar a pessoa não simplesmente como um corpo, não a reduzindo à biologia, pura e simplesmente é um grande desafio. Uma visão holística, multi, inter e transdiciplinar, é imperiosa. O ser humano é um todo uno, um nó de relações. Ser gente é possuir corpo, é ter um psiquismo e coração é conviver com os outros, cultivar uma esperança e crescer na perspectiva de fé em valores humanos.
                É zelando, promovendo e cuidando desta unidade vulnerável pela dor e sofrimento que estaremos sendo instrumentos propiciadores de vida digna. Quem cuida e se deixa tocar pelo sofrimento do outro, torna-se um radar de alta sensibilidade, se humaniza no processo e para além do conhecimento científico, tem a preciosa chance e o privilégio de crescer em sabedoria. Esta sabedoria nos coloca na rota da valorização e descoberta de que a vida não é um bem a ser privatizado, muito menos um problema a ser resolvido nos circuitos digitais e eletrônicos da informática, mas um “mistério” e dom, a ser vivido prazerosamente e partilhado solidariamente com os outros,
                Cuidar sempre é possível, mesmo quando a cura não é mais possível. Sim, deparamo-nos com doentes ditos “incuráveis”, mas que nunca são, e nunca deveriam deixar de ser “cuidáveis”. Cuidar mais que um ato isolado, é uma atitude constante de ocupação, preocupação e ternura com o semelhante, que sabe unir competência técnico-científica, com humanismo e ternura humana.
                A ética do cuidado tem diante de si neste futuro imediato três grandes desafios: 1) compromisso ético-político-ecológico: promover e defender a vida em todos os níveis (humana e cósmico-ecológico). 2) Ciência com consciência e ternura: Competência tecnocientífica aliada à competência ética. Desde o âmbito pessoal passando pelo comunitário, sócio-político e planetário. 3) Reflexão ética consistente: educar para resgatar os valores fundamentais que constroem uma vida humana saudável e feliz.
É urgente que nos re-encantemos com a arte de cuidar. O futuro da humanidade e da vida no planeta, dependerá de como responderemos a estes desafios. Faz sentido o texto em epígrafe de Hans Jonas quando ele define cuidado como uma responsabilidade de todos, e ninguém pode deixar de não fazer nada, pois estará simplesmente se autodestruindo.
         2 -  Direitos, humanização e espiritualidade na área da saúde pública.
                Melhorar o atendimento no Sistema Público de Saúde Brasileiro e diminuir as reclamações em relação  desrespeito à dignidade humana frente à vulnerabilidade do sofrimento e doença, é um grande desafio ainda a ser enfrentado pelas autoridades sanitárias brasileiras. Em nosso país, o Ministério da Saúde, aprovou a Portaria n. 1820, de 13 de agosto de 2009, que “dispõe sobre os direitos e deveres dos usuários da saúde nos termos da legislação vigente” (Art. 1º.), que passam a constituir a “Carta dos Direitos dos Usuários da Saúde” (art. 9º), publicada no D.O.U, 14 de agosto de 2009.
                Trata-se de uma verdadeira carta para o exercício da cidadania no âmbito da dos cuidados e serviços saúde. Espera-se que não fique somente no papel como uma declaração de boas intenções simplesmente. Com vigilância cidadã pode se transformar num instrumento fundamental na humanização dos cuidados de saúde.
                 O artigo 4º e parágrafo único afirmam: “Toda pessoa tem direito ao atendimento humanizado e acolhedor, realizado por profissionais qualificados, em ambiente limpo confortável e acessível a todos. Parágrafo único: É direito da pessoa, na rede de serviços de saúde, ter atendimento humanizado, acolhedor, livre de qualquer discriminação, restrição ou negação em virtude de idade, raça, cor, etnia, religião, orientação sexual, identidade de gênero, condições econômicas ou sociais, estado de saúde, de anomalia, patologia ou de deficiência, garantindo-lhe: III - nas consultas, nos procedimentos diagnósticos, preventivos, cirúrgicos, terapêuticos e internações, o seguinte: (...); d) aos seus valores éticos, culturais e religiosos; (...); g) o bem-estar psíquico e emocional; X - a escolha do local de morte; (...) XIX – o recebimento de visita de religiosos de qualquer credo, sem que isso acarrete mudança na rotina de tratamento e do estabelecimento e ameaça à segurança ou perturbações a si ou aos outros”.
                Interessante o Art. 5º quando afirma que “Toda pessoa deve ter seus valores, cultura e direitos respeitados na relação com os serviços de saúde, garantindo-lhe: (...)  VIII – o recebimento ou recusa à assistência religiosa, psicológica e social”.
                Do exposto da portaria do Ministério da Saúde sobre os direitos e deveres dos usuários do sistema de saúde, a questão religiosa é vista de forma positiva, reconhecida como uma necessidade humana que aponta para cuidados a que o doente tem direito.
                Há um cansaço na cultura contemporânea em relação à medicina que reduz o ser humano meramente à sua dimensão biológica orgânica. Vamos dar um basta a atuação de profissionais “mecânicos e insensíveis”, clama-se por profissionais “humanos e sensíveis”. O ser humano é muito mais do que sua materialidade biológica. Poderíamos dizer que esse cansaço provocou uma crise da medicina técnico-científica e que favoreceu o nascimento de um novo modelo – o do paradigma biopsicossocial. É a partir dessa virada antropológica que se pode introduzir a dimensão espiritual do ser humano como uma dimensão fundamental do ser humano, que necessita ser valorizada, implementada no âmbito de cuidados no âmbito da saúde. 
                É importante lembrar que a Associação Médica Mundial, na “Declaração sobre os Direitos do Paciente” (2005) diz que “O paciente tem o direito de receber ou recusar conforto espiritual ou moral, incluindo a ajuda de um ministro de sua religião de escolha”. A dimensão da espiritualidade é fator de bem-estar, conforto, esperança e saúde, e precisamos urgentemente que nossas instituições de saúde se organizem no atendimento desta necessidade humana.
                3 -  Cuidando da dor e do sofrimento
                A dor física geralmente é a mais fácil de se controlar. Embora os textos médicos descrevem abordagens farmacológicas e não farmacológicas para controlar a dor, existe muita dor física que não é aliviada. Peritos estimam que 75% dos pacientes com dor são tratados inadequadamente, e de 60 a 90% dos que estão na fase terminal sentem dor de severa à moderada, suficiente para prejudicar as funções físicas, humor, e interação social. Quase 25% dos pacientes de câncer morrem com dor severa, e não aliviada.
                Na perspectiva do paciente a dor pode aumentar a partir do medo, isolamento, insônia, ou depressão. As respostas do pacientes para os tratamentos de dor, também podem variar. Uma dos grandes problemas que os pacientes tem é encontrar uma linguagem adequada para expressar sua dor, de maneira que ela pode ser adequadamente identificada e abordada.  Muitos pacientes relutam em falar da dor, por que sentem que os outros, profissionais e mesmo familiares, os julgariam como fracos e que só sabem reclamar. Outro problema em cuidar da dor a partir da perspectiva dos pacientes é que alguns  não cooperam com o programa terapêutico, talvez para evitar efeitos colaterais do tratamento que impediria em resolver questões pendentes, ou simplesmente como uma forma para  garantir algum controle em face da perda de controle. Outros ainda negam a dor, para manter o sentimento que eles estão ainda em controle, apesar de evidências em contrário. Outros ainda, usam de sua dor para se proteger de mais questões difíceis. Outros, numa perspectiva de fé abraçam a dor acreditando que tem um valor redentivo que podem oferecer para Deus.
                Os médicos também falham em aliviar a dor dos pacientes. Alguns ignoram natureza da dor. Outros, não diagnosticam acuradamente a origem da dor, ou falham em avaliar o paciente em intervalos regulares para detectar novos processos causadores de dor que exigem novas terapias. Alguns simplesmente não acreditam na descrição da dor do paciente. Outros ainda não tentam alternativas para a terapia medicamentosa, tais como estimulação elétrica dos nervos, blocagem dos nervos, massagem, ou terapias orientais, tais como a acupuntura.
Os que usam de terapias medicamentosas são demais tímidos em prescrever narcóticos, por que: a) ignorância básica da magnitude de doses necessárias para combater aguda; b) medo exagerado de causar uma parada respiratória; c)  ansiedade em relação ao perigo de adição; d) Um medo irracional de ser processado civil ou criminalmente, e) uma estimativa exagerada dos efeitos colaterais de alguns analgésicos, tais como adição potencial. Recentes estatísticas estimam que mais de 90% da dor pode ser aliviada, e geralmente por meio de drogas. O desafio para os médicos é identificar acuradamente a necessidade de cuidar da dor e usar as técnicas para controle.
                 Na verdade tem muito a ser feito nesta área do controle e administração da dor. O sofrimento sentido na fase terminal da doença é muito mais que físico. Ele afeta não somente o conceito de si próprio, mas também seu senso global de se sentir conectado com os outros e com o mundo.  Este sofrimento psico-sócio-espiritual, pode ser sentido como uma ameaça para o paciente em relação ao sentido de vida, perda de controle, enfraquecimento da relação com os outros, uma vez que o processo do morrer intensifica o isolamento e interrompe as formas ordinárias de se contatar com os outros. Os pacientes em estado terminal, frequentemente tem sentimentos de impotência, desesperança e isolamento.
                Um plano adequado para lidar com este sofrimento e simplesmente o de enfrentar esta realidade a partir de uma boa relação terapêutica. “Talvez o remédio mais eficaz em termos de cura é a qualidade do relacionamento mantido entre o paciente e seus cuidadores, e entre o paciente e sua família. A qualidade curadora da relação terapêutica pode facilmente ser enfraquecida ou ameaçada quando reações emocionais (negação, raiva, culpa e medo) sentidas pelos pacientes, famílias ou cuidadores não são adequadamente abordadas. É claro que está no coração da relação terapêutica entre paciente e cuidadores o cuidado das necessidades dos pacientes de relação e sentido, bem como de comunicação honesta e verdadeira” (CATHOLIC HEALTH ASSOCIATION, 1983, p.38-39).
                Em suma, um cuidado digno dos pacientes que estão na fase final no contexto clínico procura respeitar a integridade do paciente como pessoa.  Portanto um cuidado digno procurar garantir pelo menos que o paciente: 1) será mantido livre da dor tanto quanto possível, de forma que ele possa morrer de forma confortável  e  com dignidade; 2) receberá continuidade de cuidados e não será abandonado ou perderá sua identidade pessoal e 3) terá tanto controle quando possível em relação à decisões relacionadas com seu cuidado e será permitido de recusar as  intervenções que prolongam de forma inútil e sofrida simplesmente a  vida biológica, 4) será ouvido como pessoa nos seus medos, pensamentos, sentimentos, valores e esperanças e finalmente 5) terá a opção de morrer aonde ele desejar.
 O cuidado efetivo da dor exige um programa compreensível como é exemplificado na filosofia dos cuidados de hospice. Os profissionais da saúde tem o dever de oferecer efetivo alívio da dor e paliação para os sintomas dos pacientes quando necessário, de acordo com um julgamento médico apropriado e as abordagens mais avançadas disponíveis.
                O Alívio da dor e dos sintomas da doença é uma contribuição poderosa para a qualidade e vida do paciente. Ele pode também apressar a recuperação e prover outros benefícios. Os médicos têm a responsabilidade ética e profissional para oferecer um cuidado efetivo da dor e sintomas. Esta responsabilidade deve ser entendida como central na arte da medicina e dos cuidados médicos. O cuidado dos sintomas do paciente não deve ser restrito para o final da vida, nem deve ser um sinal de que os esforços curativos foram abandonados. Os cuidados paliativos devem ser compreendidos para incluir o controle dos sintomas em todos os estágios da doença.
                4 – Somos seres resilientes!
                O termo “resiliência” provém do latim, do verbo resilire, que significa “saltar para trás” ou “voltar ao estado natural”.  Historicamente, este conceito foi utilizado pela física e engenharia. Um dos pioneiros desta utilização foi o cientista inglês Thomas Young (1807), buscando a relação entre tensão e compressão de barras metálicas, usou o termo para dar a noção de flexibilidade, elasticidade e ajuste às tensões.
                O nosso Dicionário Aurélio define o termo resiliência como a “propriedade pela qual a energia armazenada em um corpo deformado é devolvida quando cessa a tensão causadora da deformação elástica”. O adjetivo resiliente seria o “que apresenta uma resistência aos  choques”. O conceito resiliência foi além das fronteiras da física e passou a ser utilizado também nas áreas da educação, sociologia, psicologia, medicina e até na gestão organizacional.
                Para a medicina, resiliência é conceituada como sendo a capacidade do organismo humano se recuperar-se de algum acidente ou trauma. Um doente resiliente é aquele que, tem condições de compreender, superar, administrar e criar um novo sentido de vida frente a uma dura experiência de sofrimento.
                Para a psicologia, o conceito define um conjunto de processos sociais e intrapsíquicos que possibilitam às pessoas manifestarem o máximo de inteligência, saúde e competência em contextos complexos, adversos e sob pressão. Tanto na medicina quanto na psicologia, os estudos de resiliência focam no desenvolvimento de recursos saudáveis e inteligentes que a pessoa dispõe, e não em psicopatologias.
                O ser humano possui recursos inacreditáveis que é preciso descobrir, cuidar e potencializar. Busca-se uma compreensão do segredo de como determinadas pessoas enfrentam e superam experiências adversas ou mudanças traumáticas de vida, que pareceria que seriam simplesmente destruídas. Mas que pelo contrário, saem delas transformadas e mais fortes que antes!
                Somos resilientes quando somos capazes de ir além da “capacidade de superar”. Temos duas dimensões: de um lado, a resistência à destruição, a capacidade de proteger nossa integridade física e pessoal sob fortes pressões; e de outro, a capacidade de construir, criar uma vida digna não obstante contextos e circunstâncias adversas (perdas de entes queridos, enfermidades incuráveis, acidentes, etc.).
                 As pessoas resilientes são “feridas” pela vida, sim, (e quem não o è?) e desenvolvem uma profunda sensibilidade em relação a tudo que as cerca. Transformam-se em “radares de alta sensibilidade”.  Além disso possuem recursos interiores necessários para produzir o “bálsamo” necessário que ameniza as dores e sofrimentos, mas que também cura e cicatriza as feridas. Essas cicatrizes serão a prova concreta, o sinal indelével de sua luta incansável e esforço de superação, de saber que é possível continuar a “viver dignamente” apesar de tudo! Enfim, de dar a volta por cima e testemunhar com alegria a vitória.  
                Neste cenário somos responsáveis para amenizar solidariamente o sofrimento dos outro e de tornar o mundo um lugar melhor para todos. Não podemos deixar que “o canto e o encanto pela vida”, dom maravilhoso de Deus, se torne um “desencanto” de morte! A vida nos foi dada para grandes coisas, mas também como uma responsabilidade de torná-la sempre mais bela, saudável e feliz! Precisamos ser artífices e artistas deste projeto!
          5-  Ao despedirmos da vida... quatro simples palavras!
                 “Obrigado”. Um dos mais profundos sentimentos do ser humano, é ser reconhecido e sentir-se valorizado. Quando agradecemos expressamos gratidão e reconhecimento pelo dom da vida, pelas pessoas, pelas conquistas, enfim, por tudo o que a vida nos presenteia. Na experiência da dor da perda ocorre o desencantamento, em que choramos, reclamamos nos recolhemos e silenciamos...É saudável encararmos a vida e os desafios que ela nos apresenta numa atitude de gratidão! É pela gratidão que transformamos nosso pesar em compaixão e nossas experiências de dor e sofrimento em resiliência e sabedoria de vida para os outros..
                 “Desculpe”. Necessitamos do perdão, de perdoar e de sermos perdoados. Somos frágeis e vulneráveis, caímos, erramos, agredimos e também somos feridos na convivência humana. O drama é quando essa experiência se transforma em culpa num coração petrificado que não dá lugar ao perdão que liberta e reata a possibilidades de comunicação e comunhão. Há toda uma jornada de humildade a ser percorrida para ressignificar relacionamentos quebrados, sentimentos e dignidade feridos. Em determinadas circunstancias temos que aprender a perdoar a vida por nos ferir tanto!
                  “Eu te amo”. Sem amor não existe vida. Amar é uma expressão profunda de afetividade e ternura humana. É o que faz com que os nossos olhos turvos de lágrimas, brilhem e que vejamos as cores da vida, acreditando que mesmo quando experimentamos o sabor amargo de dias nebulosos e cinzentos, o sol brilha acima de tudo. Sem amor dificilmente se encontra uma razão para viver, e muito menos um significado para despedir-se da vida. Quando sofremos pela perda de um ente querido, ninguém pode tirar a nossa dor, e aprendemos que a saudades é o amor que fica. Amar é também dar permissão para as pessoas partirem! A vida nos chama a aprender a amar novamente, sem esquecer que amar alguém é dizer: tu viverás para sempre (G. Marcel)!
                “Adeus”. Nesta vida, um dia chegamos...noutro partimos. Uma das experiências mais difíceis do ser humano é a partida, do nascimento até o ultimo dia de nossa vida, a vida não deixa de ser uma série de inúmeras partidas, algumas temporárias, outras permanentes. Frente ao adeus final de um ente querido surge a necessidade de ajustar-se a nova realidade em que o outro não estará mais presente, isso ocorre quando conseguimos substituir a presença física pela doce lembrança que nos deixou. Nesse sentido, o aparente absurdo do fim pode se tornar uma conclusão feliz de uma jornada de vida e um novo início.

Pe. Léo Pessini : Atualmente é o Provincial dos Camilianos no Brasil. Professor no programa de mestrado e doutorado em bioética do Centro Universitário São Camilo, em São Paulo. 

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